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A PROFECIA DO PARAÍSO


Enquanto de um lado do mundo a agente Bernadette Callahan trabalha para uma agência secreta do governo americano, intervindo em situações de conflito. De outro, o professor Sebastian LaLaurie choca os colegas do corpo docente universitário por dar aulas alcolizado...e muito distante destes dois personagens começa a se descortinar uma trama macabra quando uma famosa cantora Gospel parece ter entrado em combustão espontânea depois de um show na cidade de São Paulo.
Bernadette e o professor Batty, especialista em religião e ocultismo vão ter de unir suas forças para enfrentar uma sequência de acontecimentos que pode levar a humanidade ao armagedon em poucos dias. Isto porque Belzebu, e seus irmãos anjos caídos sabem que em poucos dias, sob os auspícios de um eclipse lunar, vão ter sua chance de vingança e de libertar Lúcifer preso por ser o responsável pela expulsão de Adão e Eva do paraíso...
Algumas partes do fabuloso épico de John Milton, O Paraíso Perdido, guardam segredos que podem ajudar Batty e Bernadette no que deixa de ser uma série de assassinatos estranhos, para se tornar um episódio fundamental na milenar luta do bem contra o mal. Depois de muita incredulidade por parte de Bernadette e de muitos acontecimentos obscuros, ela acaba vendo confirmada a existência dos Custodes Sacri, um grupo detentor de um segredo e um compromisso incríveis. Então, o professor e a agente secreta começam a acreditar que serão eles os responsáveis por lutar para salvar o mundo em que vivemos. Claro, que para mais uma surpresa, haverá a intervenção de ninguém menos do que do celestial Miguel...
Eu me diverti lendo A Profecia do Paraíso. Algumas pessoas poderão dizer que é o estilo "mais do mesmo", com mistérios religiosos quase insolúveis, assassinatos e um ou dois heróis retirados da vala comum da humanidade...mas realmente gostei. Tem um bocado de ação sem excessos holywoodianos, tem uma gotinha de fantasia com uns anjos demoníacos  atuantes no mundo empresarial e ainda uma vaga lembrança de um clássico da literatura que é a obra de John Milton, no qual Robert Browne buscou basear este seu thriller.
 Dos muitos livros que andam por aí neste estilo, desde O Código da Vinci, este é um dos mais divertidos de ler...

A Profecia do Paraíso, Robert Browne. Planeta







A MASSAI BRANCA

" Meu caso de amor com um guerreiro africano"

(...)a cabana terá três metros e meio por cinco(...)dividimos o interior em três lugares, logo do lado da entrada fica o lugar de fazer fogo. Por cima dele há uma armação para pendurar as xícaras e as panelas. Um metro e meio adiante, há um biombo feito de galhos trançados. O cômodo atrás dele, que perfaz metade da cabana, é só para mim e meu darling. No chão, colocamos um couro de vaca com pelos, em cima dele uma esteira de palha e, por cima de tudo, minha coberta listrada de lã que eu trouxera da Suíça. Dois terços da cabana são rebocados com esterco de vaca a partir da parte interna; ele seca rapidamente por causa do enorme calor. Um terço e o telhado são rebocados do lado de fora, para que a fumaça possa escapar pelo telhado poroso. É excitante acompanhar a construção da casa. As mulheres passam o esterco na parede da cabana com as mãos nuas e riem de mim, que fico com o nariz torcido(...)

Para quem gosta de ler sobre relatos de vida e lugares ou costumes interessantes, este livro é ótimo. Para quem gosta dos mais inusitados casos de amor, ele é melhor ainda.
A Massai Branca é uma narrativa com que me deparei meio que por acaso na livraria que costumo frequentar. É a narrativa da corajosa atitude de Corinne Hofmann, uma turista que enquanto passava férias no Quênia com um namorado, fica obcecada por um outro homem...não um homem qualquer, mas um jovem guerreiro da etnia Massai.
Lektinka e Corinne se conheceram em um bar para turistas onde o rapaz fazia apresentações com outros homens de sua aldeia. Foi paixão à primeira vista e decidida a viver este amor, a empresária suíça vendeu seu negócio e abandonou sua terra natal e sua família voltando para a África sozinha e em caráter definitivo.
E se de início pareceria difícil encontrar seu jovem pretendente perdido na magnitude do território Massai, é depois de encontrá-lo que Corinne teve de colocar seu corpo e seu espírito à prova. 
Ela passou a viver em uma Maniata, uma cabana rústica, ter uma alimentação improvável. Ela adoeceu, lutou contra a necessidade e amou. Casou-se com seu guerreiro e tornou-se uma negociante de comida numa terra onde vender artigos de primeiríssima necessidade é colocar a fartura diante das pessoas...mas Corinne acabaria por sucumbir é diante das diferenças culturais e da tensão psicológica. Não foram as duras e selvagens condições que levaram esta mulher a fugir do Quênia, foi a responsabilidade para com o futuro de sua filha.
Sim porque depois de quase morrer em decorrência de vários surtos de malária, hepatite e desnutrição, esta verdadeira heroína teve uma filha. Uma criança que nasceu do amor de uma turista Suíça por um guerreiro Massai; e que precisava ser protegida  de uma realidade onde ainda aplicava-se a circuncisão feminina e onde uma esposa era uma propriedade.
Ainda assim, com todas as diferenças e improbabilidades o status de casada da Massai Branca, durou cinco anos.  Meia década de uma experiência de vida, força e amor inigualáveis; que resultou no nascimento da pequena Napirai e em uma incrível história para contar ao mundo. 
O livro tornou-se Best Seller e obviamente um filme.
A narrativa é comovente, emocionante e por vezes inacreditável.  O tipo de aventura bem real, e que está muito além de um amor de férias ou da velha máxima de que se casar com um cara meio diferente é um desafio...não, desafio foi o amor vivido por Corinne Hofmann. E eu recomendo ler e conhecer os detalhes...

A Massai Branca, Corinne Hofmann. Geração Editorial.

O HIPNOTISTA

O lançamento da coleção Millenium colocou em voga a literatura sueca. A literatura de consumo obviamente, que é do que tratamos aqui. 
Como sou fã de um bom livro de suspense policial logo fui atraída pela capa de O Hipnotista. A história começa com o ataque a uma família...um ataque violentíssimo em que o sobrevivente é um menino de 15 anos que escapa com o corpo seriamente retalhado por facadas. É este menino quem precisa ajudar a polícia a descobrir o assassino que provavelmente está perseguindo sua irmã mais velha. Mas o rapaz está em choque, e isto faz com que o detetive Joona Linna busque o trabalho de um famoso hipnotista especializado em pacientes traumatizados.
Erik Maria Bark trabalhava com pacientes que precisassem relembrar e se curar de episódios violentos, tanto as vítimas de ataques quanto doentes mentais perigosos. Mas em função de uma séria acusação que nublou seu desempenho no passado, Erik abandonou a prática do hipnotismo há dez anos. Com a insistência da polícia, Erik volta atrás em sua decisão de nunca mais utilizar seus conhecimentos sobre o transe que hoje em dia são tidos como eticamente questionáveis e psicologicamente danosos. Agora além de descobrir um personagem terrível escondido nas obscuras memórias do menino ferido, Erik vai trazer à tona uma parte assustadora do seu próprio passado.
... E vai dar início a maior caçada de sua vida; uma caçada para salvar a vida de seu próprio filho que é raptado de dentro de casa.
O crime da família chacinada e a ajuda do antes famoso estudioso em hipnose repercutem em toda a Suécia, e agora uma cadeia de acontecimentos tem início colocando a vida da família do próprio Erik em perigo. O rapto de Benjamin, filho do médico, é o primeiro elo de uma corrente do passado que emerge como um sonho profundo e ruim. Porque o garoto é portador de uma doença que exige medicamentos e cuidados exclusivos. O médico tem apenas uma semana para salvar a vida do filho, e decide ele mesmo descobrir onde e quem o está mantendo em cativeiro. Algo que vai se revelar surpreendente e assustador.
O Hipnotista é um livro gostoso de ler. Tem um estilo diferente porque a narrativa a certo tempo toma um rumo completamente diverso do encaminhamento inicial...há uma quebra nos fatos e o leitor é jogado em algo que se poderia ter como uma nova história. É como se o livro contivesse uma história dentro de outra e isto causa surpresa para leitores como eu, que estou acostumada a ter uma prévia visão do desenrolar dos fatos. Por isto digo que é no mínimo surpreendente O Hipnotista é bom, apesar de parecer um pouco sem continuidade a certa altura da trama quando se transita entre as duas histórias que compõe a narrativa. Gostei de ler e recomendo para quem gosta de suspense policial. 
Lars Kepler, o nome do autor, é na verdade o pseudônimo de um casal sueco que escreve conjuntamente. E sua história como no caso da magnífica série Millenium de Stieg Larson, envolve boas doses de violência. Leitura para quem gosta de livros policiais de peso...

O Hipnotista, Lars Kepler. Intrínseca.






CAÇADORES DE OBRAS PRIMAS

" Passados trinta minutos da meia noite do dia 15 de abril de 1944, George Sout havia concluído seus planos para evacuação da mina de Merkers(...)a maior parte das 40 toneladas de obras de objetos de arte, seria embrulhada em casacos(...)"

Caçadores de Obras Primas foi um livro que eu desejei por meses; e não me decepcionei ao tê-lo em mãos. 
Esta é a história dos Monuments Men, uma história a qual poucas pessoas conhecem e que começou antes que se desse oficialmente a entrada dos americanos na Segunda Guerra Mundial; quando alguns diretores de museus e coleções de arte reuniram-se em NY para um esforço de preservação das obras de arte ocidentais que poderiam vir a ser atingidas. Na Inglaterra providências neste sentido já haviam sido tomadas porque em junho de 1939 Adolf Hitler havia determinado que sua cidade natal Linz às margens do Danúbio seria toda reformada para conter o maior museu de artes do mundo...Alguns visionários curadores de museus na Europa sabiam da fixação de Hitler por obras de arte. Ainda assim e com tudo isso, o maior saque da história não pode ser evitado.
Mas graças a dedicação de poucos uns homens a tragédia pode ser minimizada, porque em janeiro de 1943 os Aliados haviam se dado conta da necessidade de um esforço de conservação do patrimônio histórico universal. Soldados haviam entrado em Leptis Magna naquele mês, a cidade do imperador romano Septimus Severus e a ruína romana mais bem conservada de toda a África. A cidade foi cuidadosamente tratada graças a presença do tenente-coronel Sir Robert Wheeler da real artilharia britânica, não coincidentemente um dos maiores arqueólogos da Europa. Homens como Wheeler e o curador Sout haviam ingressado de todas as formas possíveis nas forças armadas em um esforço individual no sentido de estar perto do patrimônio artístico mundial quando as tropas chegassem.
Graças ao intento dessas pessoas e ao reconhecimento por parte do exército aliado da necessidade dos cuidados com o patrimônio histórico e cultural ocidental, criou-se o MFAA (Monuments, Fine Arts and Archives). A unidade que abrigou conhecedores de arte, professores, curadores, arquitetos, arqueólogos e até mesmo soldados comuns. 350 pessoas ao total, provenientes de cerca de 13 países, responsáveis por rastrear e proteger o patrimônio cultural de todos os países então ocupados pelo Eixo. E uma das mais importantes missões dos Monuments Men como ficaram conhecidos, foi mitigar os estragos causados em estruturas arquitetônicas bombardeadas. 
Hoje sabe-se que mais de 40 mil obras de arte foram objeto da pilhagem nazista. Obras de coleções particulares como dos Rotschild e também de acervos das mais diversas nações. Rembrandts, Monets, Michelangelos...quadros, esculturas, gravuras, tapeçarias, jóias, estatuária e até móveis. Todos armazenados em minas, bunkers subterrâneos, castelos e depósitos no meio de florestas. Cercados por toneladas de explosivos para que não pudessem ser recuperados... 
Caçadores de Obras Primas, é um livro que descortina para o público, parte da história da Segunda Guerra que não está presente nos livros de escola...nem na maioria dos tratados ou filmes sobre o assunto. Robert Edsel reuniu testemunhos, cartas e documentos para delinear com precisão a história de homens e mulheres que se tornaram heróis quase anônimos naquela guerra.
As fotografias são simplesmente fantásticas...
O livro é excelente. Abre portas à curiosidade sobre o que acontece no teatro de guerra e no, por vezes obscuro, mundo da arte. Coisas sobre as quais o público comum acaba por ter conhecimento somente dezenas de anos mais tarde. 
Quem gosta de história vai se deliciar lendo esta obra.

Caçadores de Obras Primas-Salvando a arte ocidental da pilhagem nazista. Robert M. Edsel com Bret Witter. Ed Rocco

Neste ano de 2011 foi a leilão a coleção de jóias de Ana Rotschild, condessa de Rosenbery e uma das mulheres mais ricas da Grã Bretanha. A coleção de jóias e obras primas da família Rotschild era, junto com as dos museus da França, um dos principais alvos da cobiça de um homem que alterou o curso da história.
Adolf Hilter e seus comparsas apropriaram-se de mais de 21mil obras de arte por toda a Europa; obras de arte de todos os tipos e pertencentes a particulares ou a nações...foi considerado o maior roubo da história, perpetrado sistematicamente durante cinco anos.
Durante os últimos sopros de guerra, enquanto pessoas em frangalhos vagavam por cidades destruídas e enquanto o mundo descobria o que eram os campos de concentração, um corpo de apenas 350 soldados dos EUA, Inglaterra e França tentava salvar parte do patrimônio histórico da humanidade. Obras de Vermeer, Rembrandt, Monet, Michelangelo e muitos outros, estavam depositadas em mais de 200 locais...todas acompanhadas de imensas cargas explosivas. 
Pela ótica nazista, o que não pertencesse ao Reich não pertenceria a mais ninguém...
Pela ótica nazista, não existindo mais o Reich nada mais precisava existir...
Eles destruíram intencionalmente bibliotecas inteiras contendo obras clássicas gregas e papiros egípcios. Destruíram obras de arte moderna porque não aceitavam como expressão artística. De resto, o que mais interessava foi dividido entre o Führer e o alto escalão do partido. Cada um tentou fugir com tudo o que podia durante a chegada dos Aliados...o reischmarshall Rösenberg tentou levar sua pilhagem para a zona rural alemã em um comboio de trem de carga com 21 vagões lotados de quadros, jóias, esculturas, tapeçarias, gravuras e até móveis. No caminho foram saqueados, ele e a esposa, por pessoas desesperadas e famintas.
Muito da dignidade humana se perdeu naquela época. Tanto por descobrirmos como as velhas idéias de supremacia racial afloram fácil, quanto pela aniquilação de pessoas e da riqueza que poucos mestres produziram em sua passagem por este mundo de conceitos equivocados.
Esta única tiara que você vê logo acima, vale mais de 1milhão de Libras. Os Rotschilds nunca foram santos é verdade, e isto nada tem a ver com juízo de fé...Mas só de Rembrandt, os nazistas destruíram 9 quadros e ainda hoje insituições buscam entre os herdeiros de soldados da grande guerra, obras de arte que nós, o público "vulgar", nunca pudemos ver.
Para descobrir mais leia sobre o livro Caçadores de Obras Primas...

2012

Há quem pense em fim do mundo;
Há quem pense em novos tempos;
Vivamos bem o aqui e agora...
Desejo a todos os leitores do LERDEMAIS 
uma excelente virada de ano!
Janeiro vem aí com novidades.

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