Qualquer pessoa sabe que a Máfia ao longo da história, tornou-se uma instituição em diversos países. E se a Máfia italiana era a mais conhecida do grande público no século passado, hoje, com a ajuda dos estúdios de cinema de Hollywood, a Máfia japonesa é uma das mais comentadas. Sabe-se que os homens que levam a vida dentro do crime organizado no Japão são violentos, bebem e jogam muito e estão intimamente ligados ao mundo da prostituição; mas nunca algum membro das famílias destes homens expôs a rotina de conviver com a Yakuza.
Shoko Tendo nasceu em 1968 no seio da Yakuza. Tendo, vivia em uma casa ampla para os padrões japoneses e já na infância começou a entender que sua vida era diferente da de outras crianças. O pai de Tendo, Hiroyasu, chefiava a divisão mafiosa que abrangia uma região ao norte de Osaka e ainda administrava mais 3 empresas.
A autora relata como sofreu bullying na escola por seu pai ser o que era. Como já em tenra idade começou a ser assediada por capangas que conviviam dentro de sua casa e ainda muito jovem aprendeu sobre sexo e drogas; e sobre como não se deve confiar nas pessoas. Bem antes dos 20 anos de idade ela já sabia o real significado da palavra "violência" e tinha começado a tatuar suas costas no melhor " estilo Yakusa de ser"... Ela sentiu de todas as formas a como é crua e dura a vida nas sociedades cheias de regras de instituições como a que a absorveu desde a infância, mas em sua narrativa não se nota vergonha ou medo. Sente-se sim o desabafo, o enfrentamento, a naturalidade com que Shoko narra detalhes do que conhece tão intimamente: o fechado mundo de uma parte da sociedade que as pessoas preferem desconhecer.
Este é um livro de memórias muito instigante e dinâmico. Um rompimento no véu do silêncio que envolve todos os participantes do submundo em qualquer país. Apesar dos rigores culturais e de um certo temor aos reflexos de seu livro, ela é fiel às sua vivências, portanto uma mulher que conta mais do que uma história...conta para o mundo como é crescer cercada por criminosos e como é afastar-se de suas garras.
Devatador, sério e muito verdadeiro...Yakuza Moon não é um relato sem sofrimento, mas é um bom livro. Gostei muito pelo fato de que ela trata o crime, o erotismo na juventude, gangues de rua, suicídio, a banalização do sexo, as drogas, enfim tudo; com uma tranquilidade imensa. Vê-se que Tendo - com suas costas cobertas por uma linda e sexy tatuagem - adaptou-se a uma existência normal e conseguiu tomar posse de si mesma.
No livro há fotos da autora com a filha e ela continua morando em Tóquio. Parece mesmo que os implacáveis mafiosos passaram a respeitar a mulher que contou sua história a milhares de leitores.
Yakuza Moon, Memórias da filha de um gângster, Shoko Tendo. Escala

Kra deve ser muito bom
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