A rainha celta Boadicéia é uma das mais famosas personagens femininas da história antiga. Reinou na tribo dos Icenos, nas terras da Britânia durante a ocupação romana. E por sua glória e coragem foi homenageada pelo principe Alberto com uma estátua que pode ser vista ao lado do palácio de Westminster.
Manda Scott nesta estupenda trilogia tenta reviver a menina, a mulher e a guerreira com a força da imaginação mais do que com pesquisa histórica. Os primeiros anos da vida da jovem Breaca são um mistério que os historiadores romanos Tácito e Cássio não conseguiram alcançar em detalhes. No entanto a autora de forma magnífica foi buscar o tempo e a mulher para nosso deleite.
...
Neste primeiro volume intitulado Águia começamos a conhecer a vida da menina Breaca durante o ataque noturno no qual sua mãe foi assassinada, e que a levou aos 12 anos de idade a matar seu primeiro inimigo com uma lança de caçar javalis.
Filha de Eburovic, ferreiro e o mais importante guerreiro dos Icenos, Breaca aprendeu o magnífico ofício do pai...e aprendeu a lutar.

Na Britânia tribal do ano 32dC homens e mulheres não se casavam. Não havia distinção de sexos para o amor entre duas pessoas, e os filhos eram aceitos por toda a comunidade. Assim, Breaca era irmã de Bán, filho de Eburovic e Macha. O jovem caçador de lebres era um menino bonito e sensível que conhecia profundamente a linguagem dos cães e dos cavalos, animais importantíssimos para os povos da época. Por isto, o menino Bán teve a honra de criar o cão Hail que se tornaria um cão de guerra dos mais temidos e junto com sua irmã ele esperava com ansiedade para descobrir se os deuses lhe reservavam o caminho do guerreiro ou o do vidente.
A infância das crianças icenas consistia em servir aos anciãos. Assim, o trabalho de Breaca era fazer o que a avó anciã e vidente ordenasse, mas nas suas horas vagas a precoce guerreira aprimorava-se na forja de seu pai.
Naquele tempo antigo, o maior dos males eram as disputas entre as tribos. Mas como haviam previsto os videntes o poderio de Roma estava se aproximando. Roma precisava tomar territórios, conquistar grãos, ouro, prata, escravos...Roma precisava pagar por seu crescimento e o avanço pelas terras mais a leste e a norte da Britânia já era esperado e temido por seus habitantes.
Neste primeiro volume da saga, a futura rainha guerreira vai crescer em companhia de sua vidente Airmid e do jovem Caradoc, filho do dirigente de uma tribo vizinha.
Mesmo tendo de lutar contra o mal maior que os romanos ofereciam, as tribos se indispunham e o jovem Bán pivô de uma disputa é raptado por um dos irmãos de Caradoc e vendido como escravo para Roma. Depois de ser afastado de sua família e amigos, tudo o que é dito ao menino, é que foram traídos por Caradoc e que seu pai e sua irmã estão mortos.
Mesmo tendo de lutar contra o mal maior que os romanos ofereciam, as tribos se indispunham e o jovem Bán pivô de uma disputa é raptado por um dos irmãos de Caradoc e vendido como escravo para Roma. Depois de ser afastado de sua família e amigos, tudo o que é dito ao menino, é que foram traídos por Caradoc e que seu pai e sua irmã estão mortos.
Assim, enquanto Breaca aprende a lutar e tenta reunir as tribos de seu país, Bán na companhia de seu cavalo Crow, decide entregar-se a solidão e ao jugo de Roma, transformando-se em legionário. Na companhia do cidadão Corvus que estivera uma temporada entre os Icenos, Bán começa a entender de onde vem a força dos inimigos de seu povo. E com sua destreza e a ativa participação do cavalo de guerra que se torna lendário nos campos de batalha, acaba por salvar o imperador Cláudio de uma armadilha. Ganha assim, a fama e o respeito entre os legionários do império. Além disto o rapaz se torna adepto do deus Mitra e vira as costas a seus guias e videntes ancestrais...Para os Icenos, Bán está perdido no mundo dos mortos e Breaca se sobressai como a comandante dos guerreiros da ilha de Mona, a terra dos videntes que governam todas as tribos.
A sorte está lançada, e ninguém pode dizer se estes irmãos vão se encontrar em lados opostos nos campos de Marte...
A sorte está lançada, e ninguém pode dizer se estes irmãos vão se encontrar em lados opostos nos campos de Marte...
...
Os povos da idade do ferro não mantinham registros escritos. O pouco que conhecemos dos povos de origem celta, nos vem pelos relatos dos romanos e isto nos brinda com muitas distorções. O que a autora nos conta aqui, é que no início da fase adulta os jovens, tanto homens quanto mulheres passavam pelo ritual das "noites longas" quando isolados de todos ficavam a mercê das visões de seus antepassados e ressurgiam do retiro conhecendo seu caminho, ou como videntes ou como guerreiros. De ambas as formas, cada pessoa tinha um animal regente que o acompanharia por toda a sua jornada na vida e na morte. Os jovens candidatos a guerreiros passavam por provas, e os videntes por ensinamentos na ilha sagrada de Mona na costa britânica. Tácito e Cássius Dio escreveram sobre Boudica quase dois séculos depois de sua existência. Mas transmitiram perfeitamente a imagem que se perpetuava na lembrança do povo, de uma mulher forte, de longos cabelos vermelhos, portando uma enorme lança de guerra...e de Caradoc/Caratacus, seu parceiro e um líder guerreiro carismático.
Este é o primeiro volume de uma obra corajosa. A narrativa épica e cheia de imaginação, de um tempo do qual já não temos memória.
Um livro denso e longo que prevê uma trilogia de fôlego, mas que oferece uma leitura emocionante.
Boudica, Águia. Manda Scott. Bertrand Brasil
Boudica, Águia. Manda Scott. Bertrand Brasil

0 comentários:
Postar um comentário