TRANSLATER

BOUDICA - TOURO

A segunda parte desta fantástica história da rainha guerreira Breaca dos Icenos, tem início no ano 47dC. A este tempo Breaca é mais conhecida como Boudica, a portadora da Vitória. A comandante tanto da força de guerra dos Icenos e de outras tribos da região, como dos guerreiros videntes da ilha de Mona. E dos temíveis guerreiros Ursas que depois de passar pela prova do combate com a ursa caçam e guerreiam como fantasmas; pintados com cal, nus, armados de lanças expondo suas longas cicatrizes de garras.
Boudica agora é companheira de Caradoc e mãe. Mãe de Cygfa a implacável filha guerreira de Caradoc com uma guerreira da tribo; e mãe natural do jovem Cunomar e da menina Graine.
Do outro lado do mar, Roma agrupa suas legiões sob o comando de homens como o prefeito Corvus. E do homem que um dia foi Bán dos Icenos e que agora é Julius Valérius, decurião da primeira tropa, a Primeira Cavalaria Trácia. O invencível guerreiro Julius Valérius, destemido soldado do deus Mitra - o deus do touro. O homem que monta o mais temível cavalo de guerra que a terra já viu; Crow, o mal na forma de um animal assassino que vai ajudar na matança de homens, mulheres e videntes guerreiros que tem a mesma origem e o mesmo sangue do legionário que o monta...e que também mata.
Durante uma batalha Caradoc e seus filhos são feitos reféns de Roma, tendo consigo o guerreiro Dubornos. Exilados vão viver e conhecer a grandiosidade e a mediocridade do império que domina o mundo de então, onde são expostos na famosa parada de vitória, da mesma forma que César anos antes arrastara o mítico guerreiro Vercingetórix diante dos cidadãos da pátria mãe da república.
No final de seu reinado, o imperador Cláudio determina a libertação dos Icenos exilados, e Caradoc mutilado e fraco, decide que Valérius é quem vai atravessar o tempestuoso mar de inverno para entregar seus filhos à Boudica.
Quando os videntes determinam que a Boudica vá receber um navio que aporta com escravos libertos, espera encontrar seus filhos e seu amado Caradoc. O que a destemida mulher nunca poderia imaginar é que o mar está lhe negando seu companheiro e lhe entregando uma oferta inusitada. Sim, como você leitor atento já imaginou, o homem que aporta na Britânia é Julius Valérius, companheiro do prefeito Corvus, um traidor do seu povo, um legionário impiedoso que perdido entre deuses e sonhos maus, respeita apenas a determinação de matar e vencer.
O amado irmão perdido de da rainha Icena, revela-se como o odiado matador romano. Para a Boudica, descobrir toda a traição de seu irmão de sangue é um sinal de que os deuses não podem estar com ela. Valérius lutou contra sua irmã, apreendeu o homem e os filhos de sua irmã, matou centenas de pessoas do seu povo...e ainda matou seu próprio cão de guerra, Hail, o melhor animal que uma rainha poderia ter consigo. Isto é tudo de que a Boudica tem conhecimento...
Então Julius Valérius que por fim, para salvar as crianças do seu sangue virou as costas para Roma, não pode ser recebido na corte de sua irmã. Banido para a Hibérnia vai tentar encontrar novamente a voz de seus deuses e seus ancestrais. Nem Bán, nem Valérius...um homem perturbado é quem se recolhe ao calor de uma forja em um vilarejo nos confins do mundo Iceno.
                                                                          ...
A libertação dos prisioneiros Icenos pelo imperador Cláudio pode ser surpreendente para alguns leitores, mas quem lê A Vida dos Doze Césares de Suetônio ou ainda a obra de  Graves, vai entender esta reabilitação do imperador diante da história, que já não o coloca tão louco quanto Calígula. A autora defende o ponto de vista de que Caradoc comprou sua vida de alguma forma, com uma oferta/ameaça real ou imaginária. Teoria na qual a autora enquadra sua obra; quando sob a ameaça dos poderes mágicos dos videntes de Mona e da vingança dos mortos, o imperador cede a liberdade de Caradoc. Aqui é Airmid e o fantasma da avó de Boudica quem visitam Cláudio e instauram o medo na alma do imperador romano.
Neste segundo volume, Touro, da obra Boudica, Manda Scott mostra-se firme no entrelaçamento de tão rica ficção com fatos históricos tão dúbios. As fontes são poucas, no entanto sobra imaginação e a autora consegue prosseguir sua história com imensa força narrativa.

Boudica, Touro. Manda Scott. Bertrand Brasil

0 comentários:

Postar um comentário

Subscreva-se agora google

Add to Google Reader or Homepage