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FILHOS DO ÉDEN


HERDEIROS DE ATLÂNTIDA - Vol. I

No final de 2010 comentei aqui no Blog o excelente lançamento A Batalha do Apocalipse, escrito por Eduardo Spohr. O livro para mim foi uma deliciosa surpresa, não pelo fato de o autor ser um brasileiro incursionando em uma esfera literária em que os brasileiros não costumam se arriscar com sucesso, o universo fantástico. Pois este autor naquela obra, travou batalhas celestes e construiu personagens sem escorregar.
Quando vi o lançamento da série Filhos do Éden, confesso que temi por minha admiração.

Bem, vamos falar do livro. Nesta obra o centro de gravidade ainda é a batalha celeste travada pelo enraivecido e grandioso arcanjo Miguel, e os revolucionários combatentes da frente pró seres humanos, dirigidos pelo magnânimo Gabriel.
Graças a esta disputa secular as sete camadas do paraíso estão devastadas, mas os exterminadores de Miguel não conseguem alcançar os anjos renegados, protegidos em um território dos sete céus que é inacessível para o inimigo.
Ao mesmo tempo, um acordo determinou que a Terra é um espaço neutro. E em vista disso, por aqui vagam rebeldes, anjos renegados, demônios, espiões e todo tipo de ser inumano.
Peça chave no que pode vir a ser a decisão da batalha, a celestial Kaira é designada para uma importante missão na Terra; mas descoberta por espiões é presa no corpo de uma jovem universitária. Sem lembranças de quem é na verdade, sem conhecimento de seus poderes ou suas obrigações, Kaira guarda um importante segredo. Os dois anjos guerreiros Urakin e Levih que são incumbidos de encontrar e resgatar a celeste, são detidos por um anjo branco, um ser de força suprema capaz de destruir os mais fortes ofanins...e é aí que entra a figura de Denyel. Um anjo renegado que vive na Terra pilotando sua moto e vagando, há séculos. Aprendeu tão bem a sobreviver à perseguições e esconder a energia de sua aura, que somente com sua ajuda Kaira poderá ser resgatada e cumprir seu compromisso.
Será possível, no entanto confiar em Denyel? Em ex mercenário sem honra, uma criatura sem palavra que um dia atuou como assassino para o arcanjo Miguel? Denyel alega querer o fim do seu exílio, o perdão e o reingresso no paraíso celeste...
Estas figuras míticas recheadas por alguns sentimentos humanos terão de guiar a fragilizada Kaira até um dos últimos portais entre mundos...a extinta Atlântida. É lá que ela deve cumprir seu compromisso, mesmo que para isto tenha que morrer. É ela, com a ajuda destes três guerreiros que pode salvar as legiões rebeladas e assim garantir que a raça humana não seja exterminada pela destempérie e desobediência de Miguel e Lúcifer. Arcanjos perigosos para a raça humana, que num jogo de poder vão contra as determinações de um criador adormecido que parece estar vivendo um sono muito profundo...
                                                                               ...
O autor tem razão no fato de que sua criação não precisava ficar restrita A Batalha do Apocalipse. O universo criado, as criaturas, a mitologia em torno delas e tudo mais é mesmo algo fantástico. No entanto Filhos do Éden nada tem de continuação do primeiro livro dos celestes. É o início de uma nova etapa...uma saga bastante arriscada depois de algo tão ricamente construído como o livro anterior. Eu gostei de Herdeiros da Atlântida, mas devo confessar que  bem menos do que da "Batalha", o livro lançado anteriormente. Nós leitores, mesmo encantados, sentimos quando a história é esticada...e sofremos quando a vemos ser exaurida. Não digo que isto vá acontecer à obra de Eduardo Spohr. Espero sinceramente que não. Torço para que cada novo volume da série me traga surpresa e agrado. Mas preciso dizer que, apesar deste livro ser perfeitamente complementar ao mundo fantástico do volume que narrei em 2010, já não me empolgou tanto. Há um novo renegado e novos motivos para o enfrentamento entre os arcanjos, há uma ligação inesperada com o mundo atlante...mas nada de muito espetacular.
Espero ansiosamente ler o segundo volume. E rogo aos anjos, renegados ou não, que tenham força para manter o nível desta surpreendente obra orgulhosamente nacional.
Vale muito à pena ler. Não apenas Filhos do Éden; na verdade recomendo mais A Batalha do Apocalipse, um livro cheio de aventura e personagens fortes.

Filhos do Éden-Herdeiros da Atlântida, Vol.I; Eduardo Spohr. Verus

DEXTER é delicioso

Antes de falar sobre a nova história de Dexter, quero lembrar que encerrei minha resenha sobre o quarto livro da série Dexter, design de um assassino, mostrando minha expectativa de que o personagem voltasse à forma dos três primeiros livros.
Isto não aconteceu neste quinto volume que comento hoje, infelizmente.
Terminei de ler "Dexter é delicioso", e fiquei me perguntando o que foi feito do bom e velho Dex?...
No início deste livro nos deparamos com nosso anti-herói descobrindo o fascínio de ser pai da fofa e rosada Lylli Ane. Uma reviravolta que impõe o abandono do passageiro das trevas e uma nova vontade de que o mundo seja um lugar bom e seguro para sua filha viver. Mas o mundo não é um lugar seguro, e um grupo ligado ao culto do vampirismo decide avançar um passo e começa uma onda de canibalismo em plena Miami do séc. XXI.
Duas garotas desaparecem. Estudantes de classe média alta, aparentemente sem problemas familiares. A ligação entre as meninas é o filho de um político, garoto mimado que já se safou de duas acusações de assassinato graças a influência do pai...um garoto que exibe caninos alongados e uma estranha predileção por carne humana.
Dexter vai precisar ajudar sua irmã Débora Morgan a desbaratar a turma do churrasco na floresta. Mas não é só isto...ele terá de lidar com os altos e baixos emocionais de Debs, a chegada do bebê com suas exigências naturais e, nada menos que a volta de Brian. Sim, o irmão que partilha a existência do passageiro sombrio está de volta. E as crianças Cody e Astor vão simplesmente adorar este novo e obscuro tio.
Jeff Lindsay não deveria ter vendido os direitos da série para a TV sem antes ter publicado todos os volumes. Agora Dexter e todos os outros personagens tem uma cara, tem atitudes que passaram da nossa imaginação para a telinha...e tudo é muito diferente entre esses dois mundos. As histórias escritas para publicação e para o seriado são gritantemente opostas - refiro-me a acontecimentos como a morte de Rita e de Brian na TV, o que não aconteceu aqui. E estes são apenas dois dos exemplos.
Enquanto no livro o enredo foi perdendo o sabor, a vida do Dexter televisivo tem cada vez mais dinâmica. Quem, como eu se encantou com o primeiro volume, Dexter a mão esquerda de Deus, já não encontra eco no que lê agora neste Dexter, é delicioso.
Uma pena...vou sentir falta do velho Dex e seu passageiro das trevas.
Ou provavelmente vou matar a saudade dando uma espiada na série de TV.
De qualquer forma, perdi o entusiasmo por esta, inicialmente, imaginativa e afiada criação literária. Um psicopata completamente diferente do que fora apresentado até hoje. Dexter continua sendo encantador na mente dos leitores, mas suas aventuras já não nos vão fazer correr até a livraria.
Em tempo, a completa mudança no estilo de capa foi um grande equívoco; despersonalizou a série para quem vinha colecionando.

Dexter é delicioso, Jeff Lindsay. Planeta

O BAILE DOS DEUSES

Trilogia do Círculo II

Blair Murphy é uma caçadora de vampiros. (Não, caros leitores. Não confundam com a Buffy. É mera coincidência!) Uma jovem solitária que foi treinada por um pai severo desde a mais tenra idade. Treinada na arte de caçar e matar...uma lutadora que anda pelo mundo sozinha.
De uma hora para outra Blair se vê envolvida por uma história de magia e terror. Ela vai precisar juntar-se ao círculo iniciado com o feiticeiro Hoyt para lutar contra um grande mal. Lilith, uma rainha vampira ancestral que viaja entre mundos e que pretende encobrir o sol com seu manto de morte. A jovem caçadora não está acostumada a confiar...muito menos a confiar em um vampiro antigo como Cian que já faz parte do círculo. Ou em um homem como Larkin, aquele que se transforma. Mais fácil é aceitar estar ao lado de Glenna e de Moira...embora não lhe pareça que ambas possam enfrentar uma batalha contra os agentes das trevas.
Os integrantes do círculo terão apenas dois meses para se preparar para a luta contra as forças de Lilith. Neste tempo Blair terá de treiná-los e todos precisarão descobrir suas habilidades de força e magia. Quando for chegada a hora de irem para Geall, a terra daquele que se transforma e de sua estudiosa prima e rainha, os seis deverão estar preparados.
É sob a pele e asas ondulantes de Larkin que a caçadora vai lutar. No sorriso de Larkin vai aprender a confiar. E finalmente, no braços de Larkin Blair Murphy vai se entregar e encontrar proteção contra a noite.
Neste volume da Trilogia, intitulado O Baile dos Deuses, a autora nos mantém ainda mais cativos de seus personagens. Seja no esforço de aceitarem suas diferenças ou parentescos, seja na dificuldade de enfrentar a luta corpo a corpo com seres de força superior, o sabor é de anti-clímax do início ao fim do livro.
É aqui que Cian começa a tomar a proporção e o estilo do herói que encanta as mulheres...o mau que já não pode, ou não quer, ser mau. Cian o desgarrado vai deixar todas as leitoras loucas para ler o último volume da Trilogia do Círculo. Duvido que a maioria das leitoras não passe a ansiar pela redenção do vampiro nos braços da erudita. Mas e se a libertação de Cian for a chance de morrer?
Batalhas, dor e amor no próximo capítulo com Nora Roberts...a estrela bestseller do romance mundial.
Ta aí, gostei do livro. Leitura no melhor estilo "liberdades literárias". Bom; gostoso de ler e de imaginar. Coisa para uma tarde amena na rede. Roçando o pé no chão para não se render ao mundo dos sonhos.

Trilogia do Círculo, O Baile dos Deuses; Nora Roberts. Bertrand Brasil.

A CRUZ DE MORRIGAN

Trilogia do Círculo I

Quem gosta dos romances de Nora Roberts e de um pouco de ficção de fantasia vai adorar a Trilogia do Círculo. Nora é atualmente a rainha dos bestsellers água com açúcar que nós mulheres gostamos de ler. Algumas de nós as vezes, outras com muita frequência.
Tudo tem início no ano de 1128 na Irlanda...sob os auspícios de uma forte tempestade, de braços abertos em um rochedo à beira mar um homem clama por vingança. Em torno dele o vento fustiga as núvens furiosas e uma sombra esguia se aproxima.
O jovem e destemido feiticeiro Hoyt Mac Cionaoith perde seu impulsivo irmão gêmeo para uma monstruosa força do mal. Sob forma humana, Lilith uma vampira milenar de beleza maligna  leva Cian Mac Ciaonaoith para o reino dos imortais com seu beijo maligno. Conjurando a tempestade, Hoyt desafia a magnífica força de Lilith e consegue bani-la por algum tempo. Mas descobre que seu intento é dominar o mundo...Então, Morrigan a mais antiga e forte das feiticeiras surge para Hoyt e diz a ele que terá de formar um círculo para combater a força do mal e salvar o seu e outros mundos. Um círculo formado por seis pessoas: ele próprio, uma bruxa, uma guerreira, uma erudita, aquele que muda de forma e aquele que se perdeu.
O feiticeiro viaja então para o tempo atual onde encontra-se com Glenna Ward uma mulher forte, dona de cabelos da cor do fogo e de uma magia pura e delicada. Juntos eles terão de se adaptar a diferença de época, receber os outros integrantes de brigada e unir suas forças mágicas para proteger e atacar. Amparados pela força da Cruz de Morrigan e pela magia mais pura, vão enfrentar desde o início as investidas de Lilith que tentará impedi-los de terem a boa vontade do agora antigo vampiro Cian que, após séculos vagando na terra, já não se vê como o jovem irmão de Hoyt.
Assim tem início esta série lançada por Nora Roberts recentemente. Com o reencontro dos irmãos Mac Cionaoith, com a formação do círculo e com o encantamento entre Hoyt e Glenna que se revela um amor que vai ultrapassar a bairreira do tempo...
Quem gostou da Trilogia da Magia lançada pela autora, vai amar esta. Um romance com todos os ingredientes necessários a uma leitura deliciosa. Desafios, amores e personagens interessantes. Há mulheres fortes como na série As Calhoum desta autora. Gostei de ler este primeiro volume. Leitura açucarada para quando se tem vontade...mas açúcar tem que combinar com competência e criatividade. E aqui combina muito bem.

A Cruz de Morrigan, Trilogia do Círculo I; Nora Roberts. Bertrand Brasil

A SANTA DO CABARÉ

Ela volta para sua vida de luxo.
Um prefeito louco a espera.
Um jagunço saudoso quer vingança.
 "A seus pés caem homens e mulheres e sobre sua cabeça brilha uma fatalidade tornada excêntrica na terra do sol. Sua protagonista emerge na fronteira entre o crime e a autoridade. Sem querer, caem sob seu colo os destinos da política. Nada e ninguém poderá domá-la, a não ser seus próprios caprichos."
Moacir Japiassu, escritor paraibano faz surgir esta rainha personificada que lava a alma de todos os escritores brasileiros mal lembrados depois de Jorge Amado. Sua narrativa encanta, penetra nas entranhas, emana...A Santa do Cabaré é livro de um só fôlego e de muitos suspiros. Cordel pós-moderno de amor e morte; bom de ler e de reler.

A Santa do Cabaré, Moacir Japiassu. Ed. Francis

O MACACO DE PEDRA

O nome Lincon Rhyme talvez tenha ficado gravado na sua memória como o personagem vivido pelo ator Denzel Washington no magnífico O Colecionador de Ossos. No entanto o personagem magistralmente criado por Jeffery Deaver vai bem além disto. Especialista em criminologia, tetraplégico e emocionalmente envolvido com uma mulher linda e não menos problemática, Rhyme surge em outros livros que tornam mais tórrida a literatura de suspense nossa de cada dia...por que além de tudo ele é brilhante e cativante.
Neste O Macaco de Pedra, um contrabandista de carga humana acaba causando um grande tumulto, e Amélia e Rhyme é que vão ter de limpar a sujeira que ele vai deixar no caminho de seus assassinatos.
O criminoso conhecido pela polícia internacional como Fantasma, está a caminho dos EUA com uma carga humana. Um navio cheio de "porquinhos" - como são denominados no livro os imigrantes ilegais - chineses em busca do sonho americano. Mas sob a iminência de ser capturado, o contrabandista explode o navio com sua carga de vidas. Poucos se salvam, poucos tem a oportunidade de tentar desaparecer nas ruas de Nova Iorque e bem poucos terão a chance de fugir da necessidade cega que o Fantasma tem de exterminá-los, já que são as únicas pessoas que podem reconhecê-lo.
A detetive Amélia Sachs e Lincon Rhyme são colocados dentro do caso para trabalhar junto com a polícia de imigração, e mais uma vez um boureau de inteligência é montado no apartamento do criminologista. Eles terão pouco tempo e algumas vidas nas mãos, mas vão contar com uma ajuda improvável...um policial chinês infiltrado que vai provar que boas amizades se formam em momentos inusitados, e que a capacidade de dedução pode surgir de várias formas, inclusive escondida sob uma nuvem de fumaça de cigarros e entre uma discussão e um sussurro.
Amélia vai poder contar também com a preciosa ajuda de um dos sobreviventes do naufrágio. Um médico chinês que consegue amainar as dores do reumatismo que a persegue desde a infância, e também as dores da alma de uma mulher que quer ser a mãe do filho de um homem que pensa em autanásia. Este misterioso médico com seus tratamentos inusitados e seu toque de cura, vai se tornar um dos principais personagens deste livro.
Ganhei O Macaco de Pedra de presente. Todos que me conhecem sabem que não há presente melhor para mim, do que um bom livro. Se for um livro policial melhor, e se for uma obra de Jeffery Deaver, é perfeito.
Adorei este volume daquele que, para mim, é um dos maiores ficcionistas que temos atualmente.
Um romance policial instigante, cheio de aventuras e encoberto pelo véu do inusitado. O tipo de história que apenas uma mente brilhante pode criar. Sem falar que adoro a forma profundamente inteligente como o autor apresenta a narrativa em seu aspecto forense.
Um livro que não se tem vontade de parar de ler...

O Macaco de Pedra, Jeffery Deaver. Record

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