TRANSLATER

2012

Há quem pense em fim do mundo;
Há quem pense em novos tempos;
Vivamos bem o aqui e agora...
Desejo a todos os leitores do LERDEMAIS 
uma excelente virada de ano!
Janeiro vem aí com novidades.

BOUDICA - CÃO

Boudica, a magnífica rainha guerreira dos Icenos  luta para salvar seu povo que definha diante de Roma. O ano é 57dC e este é o véu de realidade que se descortina na história do orgulhoso povo que habitou a Britânia séculos antes do nosso tempo...
Caradoc está perdido para sempre exilado na Gália e um dos chefes locais chamado Prasutagos proclamou-se rei dos Icenos sem ser o escolhido. Este homem passa a aceitar o jugo de Roma; entrega cavalos, grãos, ouro e prata na tentativa de manter a terra ancestral; mas negocia também vidas humanas, escravos para Roma; e assim toma para si a ira da escolhida dos deuses para reinar. Boudica se revolta vendo seu povo passando fome porque os dominadores recolhem os frutos da terra. As tribos são proibidas de ter armas e as  incursões de desarmamento praticadas pelas legiões, acabam em violência e morte e parece difícil vencer os invasores. A situação se mostra insuportável e a chance da rainha guerreira Boudica de manter sua gente livre,é unir as tribos de toda a Britânia para lutar contra o novo governador nomeado pelo Imperador romano e seus 20mil legionários que estão determinados e arrasar com aqueles que chamam "rebeldes"...
Cunomar, filho da guerreira, depois de passar anos distante de sua mãe sendo treinado como guerreiro das Ursas retorna para também lutar sob  a efígie da lança-serpente. Um jovem homem com a formação de caráter necessária a seu povo e muitas marcas de batalhas pelo corpo.
Graine, a filha menina, tornou-se uma vidente das mais poderosas. Aos oito anos de idade é aquela que mantém contato com os espíritos e vai ajudar a orientar sua mãe no caminho da resistência.
E há Cygfa, a filha guerreira de Caradoc, uma lutadora admirável que carrega mais penas de morte em seus cabelos do que qualquer jovem jamais pode carregar com tão pouca idade.
Pressionada pelo poder do governador, pela falta de guerreiros e pelo temor pelo destino de seu povo, Boudica aceita tornar-se a rainha desposada por Prasutagos. Agora não como guerreira, mas como rainha coroada e aceita pelos romanos ela viaja com a família para a localidade de Camunlodunum. Lá, pela primeira vez em uma cidade romana Boudica vai estar diante dos dirigentes romanos fora do campo de batalha. E vai ser obrigada a dar uma morte honrada para um guerreiro de seu próprio povo como prova de sua boa vontade, e para que o rapaz não seja morto por desonra em uma cruz. É assim que a rainha Icena  descobre a superficialidade e vaidade dos governantes romanos, e a arrogância assassina que formou  a personalidade do homem que é o seu irmão de sangue.
Na Hibérnia, vivendo humildemente como ferreiro, Július Valérius descobre a que deuses pode ofertar sua vida, e se reaproxima de suas origens sob os auspícios tanto de Nemain quanto de Mitra.
Com a morte de Prasutagos a situação dos Icenos fica difícil perante Roma, e todos sabem que somente voltando a ser unidos os irmãos Breaca e Bán (Boudica e Július Valérius), todos terão uma chance de sobreviver e passar à história como guerreiros que não se dobraram ao jugo do invasor. Valérius, finalmente em paz e acompanhado de seu cão fantasma Hail, tem um último encontro com os homens das legiões a quem dirigiu em batalha em nome do imperador e a quem amou um dia...e surpreendentemente  o soldado Longinus torna-se seu parceiro contra Roma.
Neste último volume da Trilogia Boudica, tem lugar um dos mais cruéis fatos atestados pela história. Após a morte do auto-intitulado rei Iceno Prasutagos, seu testamento é contrariado pelo gestor de Roma nas ilhas. A rainha guerreira Boudica ou Boadicéia e suas filhas - uma com oito anos - são violentadas e agredidas até quase à morte. Todos os bens e terras são entregues então ao governador, e não passados às filhas de Boudica como determinado por Prasutagos.
Este foi o golpe final na alma do povo de origem Celta conhecido como Icenos, e que deu voz a uma revolta sem precedentes na Britânia.
                                                                       ...
No livro "Cão", Manda Scott usa este terrível e comprovadamente verdadeiro contexto para fazer com que Valérius socorra a irmã. E assim as tribos se unem para a batalha depois de 20 anos de exploração e escravidão.
Este levante histórico não é datado nos registros da época, mas aconteceu durante o ataque perpetrado por Suetônius Paulinus à ilha de Mona, hoje conhecida como Anglesley.
Conta o historiador Tácito, que os invasores romanos que passaram a ser os "cidadãos" da localidade de Camunlodunum em terras britânicas, expulsavam as pessoas de suas casas e propriedades agrícolas, e os chamavam escravos. Os veteranos soldados legionários cometiam abusos em nome de governantes que sequer se aproximavam da província conquistada; e até mesmo um templo ao "divino Cláudio" foi erigido diante do povo britânico que cultuava deuses antigos e não imperadores romanos.
Ao extrapolar seus poderes, os mandatários do Império conseguiram fazer com que um povo oprimido reordenasse suas forças...e é disto que a autora trata neste livro.
Não só da longa jornada de Valérius em direção a si mesmo, nem só do crescimento dos herdeiros da rainha guerreira, mas da luta pela sobrevivência de um dos muitos povos exilados de seu chão e sua cultura por conquistadores que levavam a escravidão e destruição pelo fio da espada.
A Trilogia composta pelos volumes, Águia, Touro e Cão é maravilhosa. Obra única, envolta em magia e força de vontade para transportar para o nosso tempo, sob forma de romance, os acontecimentos velados de um passado tão interessante.
É uma leitura longa, as vezes cansativa. Mas nunca desestimulante.
Quem gosta de romance histórico e tem fôlego para longos interlúdios literários vai gostar de Boudica...eu gostei.

Boudica, Cão. Manda Scott. Bertrand Brasil

BOUDICA - TOURO

A segunda parte desta fantástica história da rainha guerreira Breaca dos Icenos, tem início no ano 47dC. A este tempo Breaca é mais conhecida como Boudica, a portadora da Vitória. A comandante tanto da força de guerra dos Icenos e de outras tribos da região, como dos guerreiros videntes da ilha de Mona. E dos temíveis guerreiros Ursas que depois de passar pela prova do combate com a ursa caçam e guerreiam como fantasmas; pintados com cal, nus, armados de lanças expondo suas longas cicatrizes de garras.
Boudica agora é companheira de Caradoc e mãe. Mãe de Cygfa a implacável filha guerreira de Caradoc com uma guerreira da tribo; e mãe natural do jovem Cunomar e da menina Graine.
Do outro lado do mar, Roma agrupa suas legiões sob o comando de homens como o prefeito Corvus. E do homem que um dia foi Bán dos Icenos e que agora é Julius Valérius, decurião da primeira tropa, a Primeira Cavalaria Trácia. O invencível guerreiro Julius Valérius, destemido soldado do deus Mitra - o deus do touro. O homem que monta o mais temível cavalo de guerra que a terra já viu; Crow, o mal na forma de um animal assassino que vai ajudar na matança de homens, mulheres e videntes guerreiros que tem a mesma origem e o mesmo sangue do legionário que o monta...e que também mata.
Durante uma batalha Caradoc e seus filhos são feitos reféns de Roma, tendo consigo o guerreiro Dubornos. Exilados vão viver e conhecer a grandiosidade e a mediocridade do império que domina o mundo de então, onde são expostos na famosa parada de vitória, da mesma forma que César anos antes arrastara o mítico guerreiro Vercingetórix diante dos cidadãos da pátria mãe da república.
No final de seu reinado, o imperador Cláudio determina a libertação dos Icenos exilados, e Caradoc mutilado e fraco, decide que Valérius é quem vai atravessar o tempestuoso mar de inverno para entregar seus filhos à Boudica.
Quando os videntes determinam que a Boudica vá receber um navio que aporta com escravos libertos, espera encontrar seus filhos e seu amado Caradoc. O que a destemida mulher nunca poderia imaginar é que o mar está lhe negando seu companheiro e lhe entregando uma oferta inusitada. Sim, como você leitor atento já imaginou, o homem que aporta na Britânia é Julius Valérius, companheiro do prefeito Corvus, um traidor do seu povo, um legionário impiedoso que perdido entre deuses e sonhos maus, respeita apenas a determinação de matar e vencer.
O amado irmão perdido de da rainha Icena, revela-se como o odiado matador romano. Para a Boudica, descobrir toda a traição de seu irmão de sangue é um sinal de que os deuses não podem estar com ela. Valérius lutou contra sua irmã, apreendeu o homem e os filhos de sua irmã, matou centenas de pessoas do seu povo...e ainda matou seu próprio cão de guerra, Hail, o melhor animal que uma rainha poderia ter consigo. Isto é tudo de que a Boudica tem conhecimento...
Então Julius Valérius que por fim, para salvar as crianças do seu sangue virou as costas para Roma, não pode ser recebido na corte de sua irmã. Banido para a Hibérnia vai tentar encontrar novamente a voz de seus deuses e seus ancestrais. Nem Bán, nem Valérius...um homem perturbado é quem se recolhe ao calor de uma forja em um vilarejo nos confins do mundo Iceno.
                                                                          ...
A libertação dos prisioneiros Icenos pelo imperador Cláudio pode ser surpreendente para alguns leitores, mas quem lê A Vida dos Doze Césares de Suetônio ou ainda a obra de  Graves, vai entender esta reabilitação do imperador diante da história, que já não o coloca tão louco quanto Calígula. A autora defende o ponto de vista de que Caradoc comprou sua vida de alguma forma, com uma oferta/ameaça real ou imaginária. Teoria na qual a autora enquadra sua obra; quando sob a ameaça dos poderes mágicos dos videntes de Mona e da vingança dos mortos, o imperador cede a liberdade de Caradoc. Aqui é Airmid e o fantasma da avó de Boudica quem visitam Cláudio e instauram o medo na alma do imperador romano.
Neste segundo volume, Touro, da obra Boudica, Manda Scott mostra-se firme no entrelaçamento de tão rica ficção com fatos históricos tão dúbios. As fontes são poucas, no entanto sobra imaginação e a autora consegue prosseguir sua história com imensa força narrativa.

Boudica, Touro. Manda Scott. Bertrand Brasil

BOUDICA - ÁGUIA

A rainha celta Boadicéia é uma das mais famosas personagens femininas da história antiga. Reinou na tribo dos Icenos, nas terras da Britânia durante a ocupação romana. E por sua glória e coragem foi homenageada pelo principe Alberto com uma estátua que pode ser vista ao lado do palácio de Westminster.
Manda Scott nesta estupenda trilogia tenta reviver a menina, a mulher e a guerreira com a força da imaginação mais do que com pesquisa histórica. Os primeiros anos da vida da jovem Breaca são um mistério que os historiadores romanos Tácito e Cássio não conseguiram alcançar em detalhes. No entanto a autora de forma magnífica foi buscar o tempo e a mulher para nosso deleite.
                                                                       ...
Neste primeiro volume intitulado Águia começamos a conhecer a vida da menina Breaca durante o ataque noturno no qual sua mãe foi assassinada, e que a levou aos 12 anos de idade a matar seu primeiro inimigo com uma lança de caçar javalis.
Filha de Eburovic, ferreiro e o mais importante guerreiro dos Icenos, Breaca aprendeu o magnífico ofício do pai...e aprendeu a lutar.
Na Britânia tribal do ano 32dC homens e mulheres não se casavam. Não havia distinção de sexos para o amor entre duas pessoas, e os filhos eram aceitos por toda a comunidade. Assim, Breaca era irmã de Bán, filho de Eburovic e Macha. O jovem caçador de lebres era um menino bonito e sensível que conhecia profundamente a linguagem dos cães e dos cavalos, animais importantíssimos para os povos da época. Por isto, o menino Bán teve a honra de criar o cão Hail que se tornaria um cão de guerra dos mais temidos e junto com sua irmã ele esperava com ansiedade para descobrir se os deuses lhe reservavam o caminho do guerreiro ou o do vidente.
A infância das crianças icenas consistia em servir aos anciãos. Assim, o trabalho de Breaca era fazer o que a avó anciã e vidente ordenasse, mas nas suas horas vagas a precoce guerreira aprimorava-se na forja de seu pai.
Naquele tempo antigo, o maior dos males eram as disputas entre as tribos. Mas como haviam previsto os videntes o  poderio de Roma estava se aproximando. Roma precisava tomar territórios, conquistar grãos, ouro, prata, escravos...Roma precisava pagar por seu crescimento e o avanço pelas terras mais a leste e a norte da Britânia já era esperado e temido por seus habitantes.
Neste primeiro volume da saga, a futura rainha guerreira vai crescer em companhia de sua vidente Airmid e do jovem Caradoc, filho do dirigente de uma tribo vizinha. 
Mesmo tendo de lutar contra o mal maior que os romanos ofereciam, as tribos se indispunham e o jovem Bán pivô de uma disputa é raptado por um dos irmãos de Caradoc e vendido como escravo para Roma. Depois de ser afastado de sua família e amigos, tudo o que é dito ao menino, é que foram traídos por Caradoc e que seu pai e sua irmã estão mortos.
Assim, enquanto Breaca aprende a lutar e tenta reunir as tribos de seu país, Bán na companhia de seu cavalo Crow, decide entregar-se a solidão e ao jugo de Roma, transformando-se em legionário. Na companhia do cidadão Corvus que estivera uma temporada entre os Icenos, Bán começa a entender de onde vem a força dos inimigos de seu povo. E com sua destreza e a ativa participação do cavalo de guerra que se torna lendário nos campos de batalha, acaba por salvar o imperador Cláudio de uma armadilha. Ganha assim, a fama e o  respeito entre os legionários do império. Além disto o rapaz se torna adepto do deus Mitra e vira as costas a seus guias e videntes ancestrais...Para os Icenos, Bán está perdido no mundo dos mortos e Breaca se sobressai como a comandante dos guerreiros da ilha de Mona, a terra dos videntes que governam todas as tribos.
A sorte está lançada, e ninguém pode dizer se estes irmãos vão se encontrar em lados opostos nos campos de Marte...
                                                                         ...
Os povos da idade do ferro não mantinham registros escritos. O pouco que conhecemos dos povos de origem celta, nos vem pelos relatos dos romanos e isto nos brinda com muitas distorções. O que a autora nos conta aqui, é que no início da fase adulta os jovens, tanto homens quanto mulheres passavam pelo ritual das "noites longas" quando isolados de todos ficavam a mercê das visões de seus antepassados e ressurgiam do retiro conhecendo seu caminho, ou como videntes ou como guerreiros. De ambas as formas, cada pessoa tinha um animal regente que o acompanharia por toda a sua jornada na vida e na morte. Os jovens candidatos a guerreiros passavam por provas, e os videntes por ensinamentos na ilha sagrada de Mona na costa britânica. Tácito e Cássius Dio escreveram sobre Boudica quase dois séculos depois de sua existência. Mas transmitiram perfeitamente a imagem que se perpetuava na lembrança do povo, de uma mulher forte, de longos cabelos vermelhos, portando uma enorme lança de guerra...e de Caradoc/Caratacus, seu parceiro e um líder guerreiro carismático.
Este é o primeiro volume de uma obra corajosa. A narrativa épica e cheia de imaginação, de um tempo do qual já não temos memória.
Um livro denso e longo que prevê uma trilogia de fôlego, mas que oferece uma leitura emocionante.

Boudica, Águia. Manda Scott. Bertrand Brasil

Subscreva-se agora google

Add to Google Reader or Homepage