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CAÇADORES DE OBRAS PRIMAS

" Passados trinta minutos da meia noite do dia 15 de abril de 1944, George Sout havia concluído seus planos para evacuação da mina de Merkers(...)a maior parte das 40 toneladas de obras de objetos de arte, seria embrulhada em casacos(...)"

Caçadores de Obras Primas foi um livro que eu desejei por meses; e não me decepcionei ao tê-lo em mãos. 
Esta é a história dos Monuments Men, uma história a qual poucas pessoas conhecem e que começou antes que se desse oficialmente a entrada dos americanos na Segunda Guerra Mundial; quando alguns diretores de museus e coleções de arte reuniram-se em NY para um esforço de preservação das obras de arte ocidentais que poderiam vir a ser atingidas. Na Inglaterra providências neste sentido já haviam sido tomadas porque em junho de 1939 Adolf Hitler havia determinado que sua cidade natal Linz às margens do Danúbio seria toda reformada para conter o maior museu de artes do mundo...Alguns visionários curadores de museus na Europa sabiam da fixação de Hitler por obras de arte. Ainda assim e com tudo isso, o maior saque da história não pode ser evitado.
Mas graças a dedicação de poucos uns homens a tragédia pode ser minimizada, porque em janeiro de 1943 os Aliados haviam se dado conta da necessidade de um esforço de conservação do patrimônio histórico universal. Soldados haviam entrado em Leptis Magna naquele mês, a cidade do imperador romano Septimus Severus e a ruína romana mais bem conservada de toda a África. A cidade foi cuidadosamente tratada graças a presença do tenente-coronel Sir Robert Wheeler da real artilharia britânica, não coincidentemente um dos maiores arqueólogos da Europa. Homens como Wheeler e o curador Sout haviam ingressado de todas as formas possíveis nas forças armadas em um esforço individual no sentido de estar perto do patrimônio artístico mundial quando as tropas chegassem.
Graças ao intento dessas pessoas e ao reconhecimento por parte do exército aliado da necessidade dos cuidados com o patrimônio histórico e cultural ocidental, criou-se o MFAA (Monuments, Fine Arts and Archives). A unidade que abrigou conhecedores de arte, professores, curadores, arquitetos, arqueólogos e até mesmo soldados comuns. 350 pessoas ao total, provenientes de cerca de 13 países, responsáveis por rastrear e proteger o patrimônio cultural de todos os países então ocupados pelo Eixo. E uma das mais importantes missões dos Monuments Men como ficaram conhecidos, foi mitigar os estragos causados em estruturas arquitetônicas bombardeadas. 
Hoje sabe-se que mais de 40 mil obras de arte foram objeto da pilhagem nazista. Obras de coleções particulares como dos Rotschild e também de acervos das mais diversas nações. Rembrandts, Monets, Michelangelos...quadros, esculturas, gravuras, tapeçarias, jóias, estatuária e até móveis. Todos armazenados em minas, bunkers subterrâneos, castelos e depósitos no meio de florestas. Cercados por toneladas de explosivos para que não pudessem ser recuperados... 
Caçadores de Obras Primas, é um livro que descortina para o público, parte da história da Segunda Guerra que não está presente nos livros de escola...nem na maioria dos tratados ou filmes sobre o assunto. Robert Edsel reuniu testemunhos, cartas e documentos para delinear com precisão a história de homens e mulheres que se tornaram heróis quase anônimos naquela guerra.
As fotografias são simplesmente fantásticas...
O livro é excelente. Abre portas à curiosidade sobre o que acontece no teatro de guerra e no, por vezes obscuro, mundo da arte. Coisas sobre as quais o público comum acaba por ter conhecimento somente dezenas de anos mais tarde. 
Quem gosta de história vai se deliciar lendo esta obra.

Caçadores de Obras Primas-Salvando a arte ocidental da pilhagem nazista. Robert M. Edsel com Bret Witter. Ed Rocco

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