" Meu caso de amor com um guerreiro africano"
(...)a cabana terá três metros e meio por cinco(...)dividimos o interior em três lugares, logo do lado da entrada fica o lugar de fazer fogo. Por cima dele há uma armação para pendurar as xícaras e as panelas. Um metro e meio adiante, há um biombo feito de galhos trançados. O cômodo atrás dele, que perfaz metade da cabana, é só para mim e meu darling. No chão, colocamos um couro de vaca com pelos, em cima dele uma esteira de palha e, por cima de tudo, minha coberta listrada de lã que eu trouxera da Suíça. Dois terços da cabana são rebocados com esterco de vaca a partir da parte interna; ele seca rapidamente por causa do enorme calor. Um terço e o telhado são rebocados do lado de fora, para que a fumaça possa escapar pelo telhado poroso. É excitante acompanhar a construção da casa. As mulheres passam o esterco na parede da cabana com as mãos nuas e riem de mim, que fico com o nariz torcido(...)
Para quem gosta de ler sobre relatos de vida e lugares ou costumes interessantes, este livro é ótimo. Para quem gosta dos mais inusitados casos de amor, ele é melhor ainda.
A Massai Branca é uma narrativa com que me deparei meio que por acaso na livraria que costumo frequentar. É a narrativa da corajosa atitude de Corinne Hofmann, uma turista que enquanto passava férias no Quênia com um namorado, fica obcecada por um outro homem...não um homem qualquer, mas um jovem guerreiro da etnia Massai.
Lektinka e Corinne se conheceram em um bar para turistas onde o rapaz fazia apresentações com outros homens de sua aldeia. Foi paixão à primeira vista e decidida a viver este amor, a empresária suíça vendeu seu negócio e abandonou sua terra natal e sua família voltando para a África sozinha e em caráter definitivo.
E se de início pareceria difícil encontrar seu jovem pretendente perdido na magnitude do território Massai, é depois de encontrá-lo que Corinne teve de colocar seu corpo e seu espírito à prova.
Ela passou a viver em uma Maniata, uma cabana rústica, ter uma alimentação improvável. Ela adoeceu, lutou contra a necessidade e amou. Casou-se com seu guerreiro e tornou-se uma negociante de comida numa terra onde vender artigos de primeiríssima necessidade é colocar a fartura diante das pessoas...mas Corinne acabaria por sucumbir é diante das diferenças culturais e da tensão psicológica. Não foram as duras e selvagens condições que levaram esta mulher a fugir do Quênia, foi a responsabilidade para com o futuro de sua filha.
Sim porque depois de quase morrer em decorrência de vários surtos de malária, hepatite e desnutrição, esta verdadeira heroína teve uma filha. Uma criança que nasceu do amor de uma turista Suíça por um guerreiro Massai; e que precisava ser protegida de uma realidade onde ainda aplicava-se a circuncisão feminina e onde uma esposa era uma propriedade.
Ainda assim, com todas as diferenças e improbabilidades o status de casada da Massai Branca, durou cinco anos. Meia década de uma experiência de vida, força e amor inigualáveis; que resultou no nascimento da pequena Napirai e em uma incrível história para contar ao mundo.
O livro tornou-se Best Seller e obviamente um filme.
A narrativa é comovente, emocionante e por vezes inacreditável. O tipo de aventura bem real, e que está muito além de um amor de férias ou da velha máxima de que se casar com um cara meio diferente é um desafio...não, desafio foi o amor vivido por Corinne Hofmann. E eu recomendo ler e conhecer os detalhes...
A Massai Branca, Corinne Hofmann. Geração Editorial.


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